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você sabe o que é ausculta na osteopatia?...

POSTADO DIA: 24/04/2018 AS 13:58


Como saber o que deve ser tratado no paciente?

Todo profissional de saúde que trabalha em uma visão global, integrativa, sabe que as inter-relações entre diferentes estruturas, órgãos, sistemas, aparelhos, são inúmeras no ser humano. 

Uma dor no ombro, ou cervical, pode ser resultado de uma tensão fascial, ou de uma disfunção visceral; uma disfunção visceral pode ser causada por um prejuízo na atividade do sistema nervoso autônomo, ou uma alteração endócrina; uma irritação de um nervo periférico pode ser causada por uma restrição fascial, e seguem-se incontáveis exemplos destas inter-relações.

A localização dos sintomas não é suficiente para descobrir a sua causa e sua fonte. Então, como descobrir o que tratar, e por onde começar o tratamento, em nosso paciente?

O profissional que trabalha com terapia manual conhece várias maneiras de investigar as causas das disfunções e seus sintomas, e precisa localizar estas causas em estruturas corporais, para que possa torná-las objeto de suas técnicas terapêuticas. As técnicas de “Ausculta” são uma ótima opção para empregar na avaliação do paciente.

Há muito tempo as técnicas de “Ausculta”, ou seja, técnicas para “ouvir” os tecidos corporais por meio do toque, da sensibilidade tátil, vêm sendo utilizadas por diversos profissionais importantes na terapia manual. Jean-Pierre Barral desenvolveu uma forma própria de utilizar este recurso, e o tornou a principal ferramenta de seu processo diagnóstico. Por meio de um aperfeiçoamento da sensibilidade tátil e utilizando uma lógica de investigação fundamentada na anatomia, o Dr. Barral elaborou uma técnica de avaliação capaz de apontar, com precisão, qual estrutura, órgão, tecido, etc., deve ser o alvo central do tratamento, e que levará a efeitos sobre o resto do corpo e também sobre as demais disfunções presentes.

Na técnica do Dr. Barral inicia-se identificando em qual região do corpo está localizada a disfunção principal: 

Cabeça? 

Tórax? 

Abdome? 

Pelve? 

Membro inferior? 

Uma vez identificada à região do corpo, por exemplo, o tórax, investiga-se em que região do tórax está à disfunção: 

Região esternal? 

Hemitórax direito? 

Hemitórax esquerdo? 

Coluna vertebral torácica?

E, assim por diante, o diagnóstico vai sendo refinado, até revelar qual estrutura, ou que tipos de tecido estão em disfunção. A que profundidade, no tórax (no caso do exemplo), encontra-se a disfunção? 

Está em uma víscera? 

Em um nervo? 

Em um vaso? 

Em um ligamento visceral? 

Em uma estrutura óssea?

Passo a passo a “Ausculta” torna possível chegar ao local específico que deve ser tratado. Utilizando, para isto, a sensibilidade tátil e a interpretação das sensações percebidas pelas mãos. 

E haveria forma mais fidedigna de encontrar a disfunção que há no corpo do que procurando nele mesmo, “ouvindo” o estado em que se encontram os tecidos corporais, as células que os compõem? 

Quando possível chegar à resposta por esta via ela provavelmente será mais precisa que as hipóteses que podemos elaborar através da dedução lógica por meio dos sintomas do paciente, testes e exames de imagens/laboratoriais.

A “Ausculta” é uma ferramenta de avaliação muito valiosa para fazer parte do arsenal diagnóstico de todos que trabalham com terapia manual em uma visão integrativa. E pode servir até mesmo para aqueles que empregam outras formas terapêuticas, não manuais.

Para evidenciar a importância de “ouvir os tecidos” para encontrar a melhor estratégia terapêutica que irá ajudar a pessoa a retomar o caminho de seu equilíbrio, Jean-Pierre Barral sempre repete a frase cunhada por Rollin Becker, D.O.: “Apenas os tecidos sabem.”


 Jean-Pierre Barral DO, MRO (F), PT

Jean-Pierre Barral é um osteopata e fisioterapeuta que atua como diretor do Departamento de Manipulação Osteopática da Escola de Medicina da Universidade de Paris. Obteve seu diploma em Medicina Osteopática em 1974, na Escola Europeia de Osteopatia, em Maidstone, Inglaterra, e passou a lecionar biomecânica na instituição, de 1975 a 1982. Desenvolveu a modalidade de Manipulação Visceral com base em sua teoria inovadora de que cada órgão gira em um eixo fisiológico. Em colaboração com Alain Croibier, DO Jean-Pierre Barral também desenvolveu as modalidades de Manipulação Neural e Tratamento Global das Articulações com base em suas pesquisas clínicas em andamento.


 Rollin E. Becker (1910-1996)

cresceu em um lar osteopático. Seu pai Arthur D. Becker. DO, era um proeminente e respeitado osteopata, que atuou na faculdade com o Dr. Andrew Taylor Still (pai da osteopatia), e mais tarde foi reitor de duas faculdades osteopáticas. Rollin se formou na escola americana de osteopatia(renomeada como Kirksville College of Osteopathic Medicine).