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Plagiocefalia "cabeça assimétrica do bebê", na abordagem osteopática!

POSTADO DIA: 24/04/2018 AS 22:22


A Plagiocefalia é o termo médico usado para designar uma assimetria craniana, onde existe um “achatamento” de um dos lados da cabeça do bebê, dando um aspeto de crânio oblíquo.

A Plagiocefalia pode ter diferentes causas, como por exemplo, o recém nascido pode apresentar de imediato esta assimetria devido ao seu posicionamento vicioso intra-uterino ou desenvolve-la nos primeiros meses de vida, por ficar deitado na mesma posição durante longos períodos de tempo sem assistência. A esta deformidade chamamos de Plagiocefalia posicional.

Acontece que normalmente existe uma tendência em apoiar mais um lado do que o outro da cabeça o que acaba por originar uma assimetria nos ossos do crânio que ainda se encontram em desenvolvimento. Ou seja, a Plagiocefalia é desencadeada por forças mecânicas extrínsecas, que alteram a forma do crânio, e isto só é possível devido à plasticidade craniana. Em certos casos, esta deformidade sofre uma regressão espontânea com o passar do tempo, no entanto, outras vezes com o crescimento ósseo do crânio, a deformidade aumenta podendo trazer conseqüências graves no desenvolvimento do bebê.

Outras causas da Plagiocefalia podem começar por um parto difícil, onde a cabeça do bebê sofra grandes trações ou compressões externas, como por exemplo, o uso de fórceps, ou até mesmo a passagem demasiado prolongada pelo canal do parto, moldando os ossos cranianos assimetricamente; outra das causas é o torcicolo congênito, onde a tensão assimétrica que o esternocleidomastoideo impõe, contribui para uma deformidade occipito-temporal; (região póstero/lateral do crânio), levando o fechamento prematuro de uma das suturas cranianas, ou seja, a craniostenose pode ser ainda uma das causas mais graves de Plagiocefalia.

No entanto, as causas são inúmeras e podem produzir-se pré ou pós natal.  Bebê com cabeça demasiadamente grande, gravidez múltipla, apresentação transversal do feto, alterações na quantidade de líquido amniótico, pelve materna estreita, são apenas algumas das possibilidades que podem ser causas da Plagiocefalia.

Existem evidências científicas que demonstram que a Plagiocefalia produz alterações crânios-faciais e outras sequelas que podem ser irreversíveis e não apenas um problema meramente estético. Como por exemplo, alterações na visão, cefaleias gerais, má-oclusão dentária, estrabismo, dores na articulação temporomandibular, alterações ou atrasos no desenvolvimento psicomotor da criança, presença de escolioses ou alterações posturais entre outras.

No diagnóstico da Plagiocefalia observa-se o bebê como um todo e conhecer o seu histórico de parto, alimentação (tipo de leite, capacidade de sucção), funcionamento intestinal (cólicas), se dorme bem, e avaliação de todo o crânio. A observação da face também pode mostrar alterações na simetria do rosto. A avaliação da mobilidade cervical é importante para constatar a presença de torcicolo que pode ser a causa ou conseqüência da Plagiocefalia.  

O tratamento destes casos deve começar pela prevenção. É importante esclarecer os pais e comunicar às recomendações que devem ser feitas principalmente durante os dois primeiros meses de vida, pois os conselhos de reposicionamento do bebê poderão diminuir ou evitar possíveis deformações cranianas. A partir dos 4, 5 meses de vida, o lactante já tem capacidade de regular a sua própria posição, por isso não necessitar de tantos cuidados nesta altura.

É importante considerar que existe um crescimento craniano bastante rápido nos dois primeiros anos de vida, e que mais de 50% dos casos de Plagiocefalia são reduzidos apenas com medidas cautelosas de posicionamento, embora, existem alguns casos que pioram com o tempo.

Nos últimos anos, muitos pediatras têm aconselhado o uso de um capacete corretivo, com o propósito de solucionar o problema. Contudo, importa salientar que, não só se trata de uma opção dispendiosa, e pouco eficaz.

Em casos mais graves, o uso de órtese craniana (capacete) é controverso. Existem órteses passivo-ativas ou dinâmicas, não restringem o crescimento normal e requerem utilização diária por períodos prolongados (cerca de 23 horas por dia), com uma duração média de 13 semanas, e têm maior beneficio quando usadas entre os 4 e os 9 meses, sendo pouco eficazes depois dos 12 meses. Estes capacetes corretivos apenas fazem jus ao nome no capítulo da estética, não corrigindo a série de alterações causadas pela plagiocefalia atrás descritas.

Por outra via, o tratamento da Plagiocefalia com o uso da terapia manual, a mobilidade craniana é avaliada e devolvida quando ausente. Através das mãos, do tato, da sensibilidade do terapeuta são constatados bloqueios ou alterações no movimento fisiológico entre as suturas cranianas, durante a avaliação manual, podendo ser assim devolvida.

Para o desenvolvimento normal psicomotor da criança, a mobilidade fisiológica dos ossos cranianos é fundamental, evitando conseqüências graves no futuro a vários níveis, sejam eles estruturais, e ou funcionais.

As técnicas manuais são suaves, agradáveis, relaxantes, e procuram o equilíbrio e o relaxamento de todas as estruturas que estão em tensão e com bloqueios de movimento. Com o uso destas técnicas, não só é devolvida a simetria craniana, graças à plasticidade e ao crescimento dos ossos do crânio, como é devolvido o movimento fisiológico possibilitando assim um normal desenvolvimento psicomotor da criança, um benefício evidente da terapia manual em relação ao uso do capacete, que apenas poderá devolver alguma simetria ao crânio.


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